América do Sul · Chile

Subida ao Vulcão Láscar no Atacama

· 3 min de leitura

Subida ao Vulcão Láscar no Atacama

A aventura de subir um dos vulcões ativos mais acessíveis do Chile.

Neste artigo

Era um sonho antigo subir um vulcão ativo e fizemos até um check-up antes de viajar para o Chile, para ter certeza de que estávamos aptos a subir.

O Láscar não é um vulcão de cartão-postal calminho, ele é o mais ativo do norte do Chile e tem quase 5.600 metros de altitude.

Foto panorâmica da imensa cratera do Vulcão Lascar, mostrando a encosta rochosa e montanhas no horizonte.

Desde o século 19, já teve mais de trinta erupções explosivas registradas, sendo uma das últimas em dezembro de 2022, quando lançou uma coluna de cinzas para o alto. Ele é monitorado o tempo todo, e só é permitido subir quando está em alerta verde, que significa comportamento estável.

Para ter certeza de que vai conseguir subir, só algumas horas antes, porque os alertas às vezes mudam de cor sem aviso, o vulcão é vivo.

O Lago na Base

Para fazer essa subida com total segurança, nós escolhemos a dedo um dos melhores e mais experientes guias do Atacama.

Um dia antes de ir, ele fez uma reunião com a gente para dar orientações e confirmou que estávamos aclimatados e preparados para subir.

Um carro 4x4 nos pegou de manhã cedo em San Pedro de Atacama.

A viagem leva entre 1h30 e 2 horas, parte do caminho é feita por asfalto até o povoado de Talabre e depois segue em estrada de terra.

Passamos perto da Quebrada de Talabre e é chocante ver a distância e o tamanho das pedras espalhadas, que foram cuspidas pelo vulcão na última grande explosão em 1993.

Depois disso tem uma parada para o café e aclimatação em um lugar absurdamente lindo!

Reflexo de montanhas e do vulcão com neve no topo na superfície espelhada da Laguna Lejía, no Deserto do Atacama.

A Laguna Lejía fica na base do vulcão e até hoje é uma das fotos mais bonitas que a gente já tirou na vida.

O carro ainda sobe mais um trecho de terra até o início da trilha, que já começa perto dos 5.000 metros de altitude.

Nós fomos super bem agasalhados, porque lá em cima faz muito frio. Tem que ir com bota de caminhada e com roupa quente e resistente, e o guia nos emprestou capacete e bastões de caminhada.

A Subida

A caminhada não exige escalada com corda, mas o grande desafio é a altitude e o terreno. Mesmo usando os bastões de caminhada o pé escorrega, porque as pedras são muito soltas.

Tem que andar muito devagar, quase a dez por hora, e o nosso guia respeitou muito isso. Ele ia puxando o ritmo na velocidade da pessoa mais lenta do grupo, que no caso era eu.

Levamos mais de quatro horas para subir e, quando chegamos lá em cima, tinha um platô e na hora a gente achou que tinha chegado ao final e começou a comemorar.

Só que não... rsrs...

Homem de capacete e óculos de sol tira selfie com a cratera do Vulcão Lascar, no Atacama, ao fundo.

A borda da cratera (o platô onde a maioria dos passeios termina) fica a 5.500 metros de altitude, mas o cume verdadeiro (o topinho do vulcão) fica a 5.592 metros e a distância linear é de cerca de 250 metros.

Acredite se quiser, levamos mais de meia hora para caminhar esta distância.

O Mal de Altitude na Prática

O soroche, o mal de altitude, pega de verdade porque perto dos 5.000 metros a pressão do ar é muito menor e, a cada respiração, o corpo recebe bem menos oxigênio do que ao nível do mar.

Na metade do caminho, nós vimos gente jovem botando os bofes pela boca. Mas o que mais nos chamou a atenção foi ver uma galera atlética, sarada, com cara de que faz academia todo dia, que simplesmente não aguentou subir até o fim.

Por Que Acontece Isso?

Porque eles chegam no afã, querendo subir rápido com a força do corpo, vários passaram por nós no pique e a gente a passo de tartaruga, e na metade do caminho dois destes apressadinhos desceram com cara de estar passando mal.

Grupo de montanhistas com capacetes sentado na encosta íngreme de terra e pedras do Vulcão Lascar.

O nosso guia foi maravilhoso, ficou nos segurando o tempo todo para ir bem devagar, e graças a isso todo mundo conseguiu chegar até o topinho final.

A Cratera e a Medição do Oxigênio

Quando a gente chega na borda da cratera, dá para ver a fumaça saindo e sentir o enxofre. Aquele cheiro de ovo podre é quase insuportável, mas a sensação de estar na beira de um vulcão ativo é incrível, não tenho como usar outra palavra.

Ao mesmo tempo, a gente fica com falta de ar e bate um sono tremendo por causa da falta de oxigênio.

O nosso guia levou no bolso aquele aparelhinho de dedo, o oxímetro, para medir a nossa saturação e também levou cilindro de oxigênio na mochila.

Mulher sentada entre pedras com equipamentos e bastões de trilha no cume do Vulcão Lascar, no Chile.

Ao nível do mar, o normal é a pessoa estar entre 95% e 100% de saturação de oxigênio no sangue. No alto da cratera, quando ele mediu a gente, estávamos com oitenta e poucos, quase noventa por cento, o que já é esperado para quem está acima dos 5.000 metros.

Graças a Deus ninguém do nosso grupo precisou tomar oxigênio, mas deu segurança ver que o guia estava totalmente preparado.

A Descida

Para descer, teoricamente “todo santo ajuda”, mas não é bem assim, tem que usar os bastões de caminhada para ter segurança.

Como as pedras são muito soltas, a gente vai afundando o pé no meio do cascalho a cada passo.

É divertido, parece que você está esquiando nas pedras, mas qualquer vacilo ou tombo pode ser perigoso.

No fim, chegamos no carro com quilos de pedra dentro da bota e o corpo moído de cansaço.

Mão segurando pequenos pedaços de rocha vulcânica e cinzas coletados durante a trilha do Vulcão Lascar.

Não vá pensando que é um passeio no parque, porque a subida exige muito do corpo, mas o esforço compensa porque o Láscar faz parte da Cordilheira dos Andes e lá de cima a gente tem uma vista panorâmica de toda a imensidão da cordilheira, é emocionante.

Casal de capacete e casaco abraçado no topo do Vulcão Lascar com a cratera e a cordilheira ao fundo.

Se você também tem o sonho de subir o Láscar com segurança, com equipe séria que leva oxigênio, controla a aclimatação e respeita o seu ritmo, chama a gente no WhatsApp que nós organizamos a sua subida e todo o seu roteiro no Atacama.

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