América do Sul · Chile

As Melhores Lagoas do Deserto do Atacama: Como Visitar por Conta Própria

· 3 min de leitura

As Melhores Lagoas do Deserto do Atacama: Como Visitar por Conta Própria

Um guia completo pelas lagunas Cejar, Piedra, Tebenquiche, Chaxa, Miscanti e Miñiques no deserto mais seco do mundo.

Neste artigo

Ficamos mais de uma semana com carro alugado na região de San Pedro de Atacama, então deu pra ir em cada lagoa com calma, num dia diferente.

As lagunas Cejar e Piedra ficam pertinho uma da outra e fizemos no mesmo dia. Miscanti e Miñiques deixamos mais pra frente, porque o corpo precisava aclimatar antes de subir tanto, e no meio teve um dia de descanso, um dia de subir o vulcão Láscar e dia de ir nos gêiseres do Tatio, que vamos contar em outro post.

Bandeira do Chile balança ao vento diante do vasto e seco deserto de sal com montanhas ao fundo na Laguna Chaxa no Atacama.

Não fomos nas Lagunas Baltinache, nem na Laguna Tuyajto ou nas Águas Calientes em função da distância.

Ojos Del Salar, Laguna Cejar e Piedra, Onde Se Pode Boiar:

Começamos o dia indo até os Ojos del Salar, que ficam a mais ou menos 30 km de São Pedro de Atacama e são uns poços pequenos no meio do sal, lindos, vale a pena parar pela foto e para sentir a beleza silenciosa do deserto.

Casal sorri sentado na beira de terra diante das águas azuis da lagoa circular nos Ojos del Salar no Deserto do Atacama.

Dica Prática: Nós fizemos o oposto do que as agências de turismo fazem, preferimos ir antes para as lagunas mais distantes e depois vir para a Laguna Piedra onde se pode boiar, escolhemos esta forma para pegar o local mais vazio.

A Caminhada na Tebenquiche e os Seres Vivos Mais Antigos da Terra

Seguimos mais 4 km e chegamos na Laguna Tebenquiche, que mexeu muito com a gente, parecia que estávamos em outro planeta.

Aquela imensidão branca e reluzente faz a nossa mente dar um nó, parece gelo ou neve, mas na verdade é sal puro evaporando sob o sol do deserto mais seco do mundo.

Mulher sorri em pé diante das águas turquesas com bordas de sal branco e montanhas ao fundo na Laguna Tebenquiche no Chile.

É um lugar mágico, que dá para caminhar com calma e de quebra, ainda ver o vulcão Licancabur emoldurado à nossa frente.

E lendo as placas descobrimos os bichos mais antigos da Terra, que estão lá. Depois fomos pesquisar e descobrimos que são colônias de microrganismos extremófilos, tapetes microbianos, que sobrevivem em tanto sal e tanta radiação e quase sem oxigênio que os cientistas consideram parecidos com as formas de vida mais antigas que já existiram na Terra.

Homem sorri em pé na borda de sal branco diante das águas turquesas e montanhas ao fundo na Laguna Tebenquiche no Chile.

Aqui cabe um alerta: toda essa beleza branca da Tebenquiche é o resultado de milhões de anos de água das montanhas que evaporava ali e deixava o sal para trás. O problema é que, hoje, as mineradoras pegaram esse processo natural de evaporação e o transformaram em um mecanismo de destruição.

Elas cavam poços fundos, sugam a água que corre por baixo da terra e a jogam em piscinas gigantescas para forçar a evaporação no sol o mais rápido possível, só para extrair o lítio para as baterias.

Como a água no deserto está toda interligada por baixo da terra, o impacto não fica restrito aos poços. Quando a mineração esvazia esses reservatórios profundos, ela cria um efeito de sucção.

Isso faz com que a água das lagoas da superfície acabe descendo para preencher o vazio subterrâneo. O resultado colateral é direto, o nível da água cai no Salar inteiro, ameaçando secar lagoas históricas e destruir um ecossistema único.

Placa rústica de madeira sobre extinções em massa diante de lagoa turquesa com margem de sal branco e montanhas no Chile.

A gente percebeu que mesmo lugares turísticos distantes e lindos, não passam intocados frente ao avanço agressivo da nossa própria tecnologia.

É uma ironia pensar que o lítio que essas mineradoras extraem ali, destruindo um santuário natural milenar, é o mesmo que abastece as baterias dos smartphones de última geração e dos carros elétricos criados para "salvar o planeta" e reduzir a poluição…

Depois desta reflexão que doeu, devo confessar, retornamos à estrada.

Laguna Piedra, a Lagoa Onde É Impossível Afundar

As Lagunas Piedra e Cejar ficam pertinho uma da outra, a Cejar é apenas para contemplação, já a Piedra conseguimos boiar de verdade por causa do sal, ela é considerada o mar morto do Atacama.

Homem flutua relaxado de barriga para cima nas águas cristalinas com montanhas ao fundo na bela Laguna Piedra no Chile.

Apesar da água um pouco fria, é muito divertida a flutuação, quem não sabe nadar direito como eu, fica com um medinho, mas logo passa, vale a pena viver esta experiência e novamente o Vulcão Licancabur reina imponente na paisagem, cada foto parece um cartão postal.

Mulher sorri na margem de areia clara diante das águas azuis e montanhas ao fundo na paisagem da Laguna Piedra no Atacama.

A beleza do Atacama é algo impressionante mesmo, tivemos sorte de estar lá no mês de novembro, em que a temperatura é amena e o céu azul está limpo.

O pôr do sol na Laguna Chaxa e a dança dos flamingos

Na Laguna Chaxa fomos pra ver o pôr do sol, mas no mês de novembro é bem complicado, pois a bilheteria fecha às 18h e o pôr do sol é depois das 19h.

Conseguimos chegar lá antes de fechar, mas foi meio tenso, ver tudo meio rápido e as estrelas do lugar, os flamingos, em novembro também começam a reprodução e eles migram para outras lagunas, pelo que entendemos, então não tinham tantos.

Sol brilhante e dourado se põe atrás das montanhas escuras iluminando a água no fim de tarde no Deserto do Atacama no Chile.

Mas independente de qualquer coisa, andar pelas passarelas de madeira da Laguna Chaxa, você consegue ver uma parede gigante de montanhas e vulcões da Cordilheira dos Andes.

São vários desenhados no horizonte, mas tem dois principais que roubam a cena e ficam bem nítidos, o Láscar, que é um vulcão ativo e costuma soltar uma fumacinha branca e que tivemos a maravilhosa e cansativa experiência de subir e contamos no post da Subida ao Vulcão Láscar, e o Licancabur, que tem aquele formato perfeito de cone e se destaca na paisagem.

Lagunas Miscanti e Miñiques, guardadas para o final por causa do Soroche

Estávamos doidos pra ir na Miscanti e na Miñiques, mas deixamos para ir nos últimos dias de propósito.

Mulher sorri parada na beira da longa rodovia asfaltada com árvore verde e carro prateado estacionado no Deserto do Atacama.

Nossa preocupação era com o soroche, o mal de altitude, que pode ser causado pela diminuição de oxigênio acima dos 3.000 metros e gera dores de cabeça e desconfortos terríveis. San Pedro fica por volta dos 2.400 metros e pra chegar nessas duas lagoas o corpo sobe em algumas horas 1.700 metros, pois as lagunas altiplanas estão a mais de 4.100 metros do nível do mar.

Na subida para as lagoas altiplânicas, levamos um pacotinho de salgadinho no carro e ficamos vendo ele inchar igualzinho acontece no avião.

Mulher caminha por estrada de terra rumo à grande lagoa azul cercada por montanhas na região das Lagoas Altiplânicas no Chile.

Deu um certo pavor imaginar o que estava acontecendo dentro do nosso corpo enquanto o ar lá fora ficava cada vez mais rarefeito, o saquinho parecia uma almofada prestes a explodir.

Mas não sei se pela aclimatação ou pela baixa velocidade que fomos, chegamos lá sem sentir nada, mas mesmo assim, andamos devagar visitando as 2 lagoas pra evitar falta de ar.

Casal abraçado sorri diante das águas azuis e vegetação rasteira com montanha ao fundo na bela Laguna Altiplânica no Chile.

As cores dessas duas lagunas são tão fortes, que a câmera não faz jus a elas, eu podia encher de elogios aqui, mas só vou colocar as fotos mesmo….rsrsrs…

 montanhas com topo nevado na paisagem da Laguna Miñiques no Chile.

Mas sugiro fortemente que venha ver estas duas joias do Deserto do Atacama, a caminhada entre as 2 é tranquila, desde que respeite seu corpo, pois a altitude cobra.

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