
Templos, gueixas e jardins zen na antiga capital imperial japonesa.
Neste artigo
- O Templo Hongan-ji
- Salão Sanjūsangen-dō, o Templo das Mil e uma Estátuas
- Bairro Gion e a Diferença entre Gueixa e Maiko
- Como ir ao Fushimi Inari de trem: o roteiro perfeito de ida e volta
- Por que Existem Tantos Toriis Vermelhos em Fila no Santuário Fushimi Inari?
- Santuário Yasui Konpiragū para Cortar Relações Tóxicas
- O Pôr do Sol na Pagoda Hōkan-ji de Yasaka
Queríamos muito conhecer Quioto, ela foi a capital imperial do Japão por quase 1.100 anos e é uma das cidades japonesas mais preservadas. Foi poupada dos bombardeios na Segunda Guerra Mundial, o que faz de Quioto um retrato bem fiel do Japão anterior à guerra.
O Templo Hongan-ji
Começamos nossa passagem por Quioto por este templo gigante, que fica bem perto da Estação de Quioto e é possível ir a pé.
Devo confessar que ficamos impressionados, pelo tamanho e pela atmosfera de simplicidade do local.

Os pátios abertos são imensos e o salão Goei-dō é uma das maiores estruturas de madeira do planeta. Quando chegamos estava acontecendo alguma meditação e o ambiente transmitia uma paz muito grande, tiramos os sapatos ao entrar e o chão de madeira era estranhamente macio, difícil de descrever.

Depois descobrimos que essa sensação de maciez vem do fato do templo ter sido construído com técnicas tradicionais de encaixe, sem usar nenhum prego de metal, o que permite que a madeira "respire" e absorva o impacto dos passos ao longo dos séculos.
É um ótimo local para contemplar e relaxar, vale o passeio.

Salão Sanjūsangen-dō, o Templo das Mil e uma Estátuas
Na sequência fomos ver as Kuanyns, visitamos muitas deusas da compaixão pela Ásia, mas estávamos muito animados em ver essa enorme quantidade de imagens juntas.
O Sanjūsangen-dō é um salão de madeira, o mais longo existente atualmente no Japão, é impossível fotografá-lo inteiro, nem na horizontal da câmera.

Entrar nele chega a dar um choque, tem a estátua central, uma enorme imagem de mais de 3 metros, esculpida em madeira da Kannon de Mil Braços sentada.
Ao lado do altar há 10 fileiras que no total somam 1.000 estátuas em tamanho real da mesma deusa da compaixão. Elas são feitas de madeira de cipreste japonês e cobertas com folhas de ouro.
Embora pareçam idênticas à distância, cada uma das 1.001 estátuas tem feições faciais e detalhes diferentes. Diz uma lenda local que se você olhar atentamente para os rostos das estátuas, encontrará uma que se parece exatamente com você ou com alguém que você ama.
Na frente das fileiras de Kuanyns ficam 28 estátuas de divindades guardiãs, além das esculturas dos deuses do Vento e do Trovão. É um circuito de caminhada sensorial, feito meio na penumbra, não é um lugar muito iluminado.
O visitante entra no espaço e vai andando e se quiser pode fazer oferendas, pois ao longo do caminho existem pequenos altares com caixas de oferendas (saisen-bako).
Nesses pontos, os fiéis e visitantes podem fazer uma oração ou acender velas ou incensos específicos vendidos pelo próprio templo.
Nós ficamos comovidos com o lugar, há uma vibração muito poderosa lá.
É proibido fotografar por dentro, mas consegui do lado de fora pegar um pedacinho das Kuanyns menores para postar, pedi licença a elas espiritualmente, antes de tirar a foto.

O pátio externo também é muito bonito e tem um portão vermelho que é considerado um ícone para fotos.

Uma curiosidade é que a deusa Kannon, é a mesma Guan Yin em chinês, Quan Âm em vietnamita e Kuan Yin em português e também é chamada de Lady Buda e tem estátuas gigantes na Tailândia e no Vietnã, fizemos posts específicos falando delas.
É uma das deusas mais cultuadas na Ásia, vimos templos dela em todos os países, é a Deusa da Misericórdia e Compaixão e em alguns lugares também a protetora dos pescadores. Às vezes me passa a impressão de ser um tipo de Iemanjá asiática.
Bairro Gion e a Diferença entre Gueixa e Maiko
Na sequência fomos para o bairro Gion, o reduto das gueixas verdadeiras, das falsas e das aprendizes. É comum ver mulheres vestidas com quimonos típicos e pensar que são todas gueixas, mas existem vários tipos de mulheres usando este estilo.
A identificação das turistas é bem fácil, andam em grupo, no mínimo duas, lado a lado e usam quimonos lindos e com cores chamativas e bem alegres.

As Maiko são aprendizes, geralmente mais jovens, com maquiagem e enfeites de cabelo chamativos, andam sozinhas pelo que percebi.
E as gueixas andam com uma acompanhante, se vestem e maquiam com visual mais sóbrio e possuem uma aura diferenciada que dá para sentir.

Encontramos uma quase por acaso, sabíamos que muitas chegam no bairro às 17 horas para trabalhar e estávamos lá neste horário.
Tentamos ser muito discretos, porque tem uma discussão muito séria sobre a perseguição dos turistas às gueixas, beira ao desrespeito, quase uma perseguição.
Então tiramos uma foto de longe e fotografamos a rua que ela entrou.

Esta também é outra situação no bairro, há muitos turistas, muitos mesmo, então várias ruas têm avisos que só os moradores têm acesso ao local, acho até justo, imagina você não poder abrir uma janela porque tem gente fotografando, faço meu mea-culpa também, porque não resistimos a fotografar cantinhos lindos que vimos.
Quioto tem este grande problema, é um lugar charmoso, histórico, muito fácil de caminhar, pequeno e que atrai turistas do mundo todo! É algo que a médio prazo vai obrigar a cidade a tomar algumas providências.

No dia seguinte nos preparamos para encarar a multidão no santuário Fushimi Inari.
Aqui cabe uma explicação, sobre as diferenças de templos e santuários, é algo muito interessante.
No Japão, a grande diferença é que os templos budistas são dedicados à adoração de Buda e à busca pela iluminação espiritual, enquanto os santuários xintoístas são voltados ao culto a vários deuses e espíritos da natureza, utilizando os portais vermelhos (torii) para marcar a fronteira sagrada do território onde essas divindades habitam.
Como ir ao Fushimi Inari de trem: o roteiro perfeito de ida e volta
Para aproveitar ao máximo a visita ao santuário mais famoso de Quioto, a melhor estratégia é fazer um circuito diferente na ida e na volta.
Na ida vá pela rota do comércio local e volte pelo caminho mais rápido e direto, foi o que fizemos e conseguimos curtir toda a região. Todo este trajeto é feito de trem local, então fique atento à escolha dos trens.
*A rota de ida pelo comércio (Linha Keihan)* Partindo da região central de Kyoto, o trajeto começa na Linha Principal Keihan. Você deve embarcar obrigatoriamente em um trem local (Local Train) ou Sub-expresso (Sub-express).
Fique atento para não subir nos trens expressos, que costumam ser sinalizados em vermelho ou laranja, porque esses trens não param na região do santuário e passam direto pela plataforma. O desembarque deve ser feito na Estação Fushimi-Inari.
Ao sair da plataforma basta seguir o fluxo de pedestres, esse trajeto inicial é muito divertido, cruza uma rua cheia de lojinhas de souvenir, comidas típicas e restaurantes, em 5 minutos você chega na entrada do complexo.

*A rota de retorno direta (Linha JR Nara)* Na volta a forma mais prática de retornar é utilizar a Linha JR Nara, operada pela Japan Railways.
A grande vantagem dessa rota de retorno é a localização estratégica da Estação JR Inari, situada exatamente em frente ao acesso principal do santuário.

Basta cruzar a rua para entrar na estação, na plataforma certifique-se novamente de pegar apenas o trem local.
Por que Existem Tantos Toriis Vermelhos em Fila no Santuário Fushimi Inari?
Como tínhamos imaginado, o santuário estava lotadíssimo, o único horário que ele fica mais vazio é antes das 7h da manhã, foi o que nos disseram.
Mas mesmo com muita gente passando, este santuário é maravilhoso, os toriis viram uma floresta vermelha e vão te puxando para cima, é um lugar com uma vibração rara.
Talvez por causa da devoção que existe no lugar, pois os milhares de portais de torii foram doados ao longo dos séculos por empresas e indivíduos, cada um pedindo prosperidade nos negócios.
É possível ver o nome do doador e a data gravados na base de cada portal e a cor vermelha tradicionalmente é associada à proteção contra maus espíritos no xintoísmo, a sensação que a gente tem é que está passando por “portais” de verdade.
Nós percebemos isso quando achamos um cantinho, sem dezenas de pessoas tirando fotos, rsrsrs.

Porque este é um detalhe muito curioso, como a subida é longa e as pessoas em geral entram em grupos, se você der uma acelerada no passo, consegue encontrar uma área dos toriis vazia, antes do próximo tour chegar.
Nós chegamos ao primeiro topo, que é o mirante principal com uma vista linda de Quioto e em vez de voltar pelo mesmo caminho espremido no meio da multidão, optamos por uma estradinha mais tranquila e silenciosa, chegamos muito rápido na base do santuário.
Seguimos descobrindo Quioto e tivemos uma surpresa incrível, muito inesperada e divertida.
Santuário Yasui Konpiragū para Cortar Relações Tóxicas
O santuário Yasui Konpiragū fica meio escondido, nós descobrimos por acaso. Ele fica em uma travessa estreita, colado nos fundos do templo Kennin-ji e a menos de 5 minutos a pé da rua principal das gueixas.
A entrada dele parece uma ruazinha residencial comum de Gion, estávamos andando por ali e demos de cara com aquela grande rocha furada coberta por milhares de papéis colados.

Demorou um tempo até a gente traduzir os textos explicativos, mas foi bárbaro quando entendemos do que se tratava. O monumento de pedra (Enkiri Enmusubi Monument) é mundialmente famoso e funciona como o túnel ou portal onde as pessoas realizam o ritual de rastejar pelo buraco, a ida serve para cortar o mal, cortar relações tóxicas, vícios ou azar e a volta serve para atrair união, bons relacionamentos e prosperidade.
E lá fomos nós fazer o ritual…primeiro tem que escrever em um papel o que você quer cortar ou atrair (tem uma mesinha com caneta e papel por perto).

Depois segure o papel na mão e atravesse a pedra, mantenha o papel na mão na volta também, indo para a frente é deixar o passado para trás e voltar pelo buraco é para receber o futuro.
Na saída é que se cola o papel na pedra.
Embora muitas pessoas pensem que esse santuário serve apenas para separar casais, o objetivo real do ritual é purificar as relações, cortando os laços negativos para blindar e fortalecer o que é bom.
É por isso que muitos casais fazem o circuito juntos, foi um dos rituais mais bonitos que já fizemos.
Meu maior medo foi um de nós não passar na boca do buraco, rsrsrs, mas deu tudo certo!

Se estiver em Quioto sugiro que vá neste lugar, tem uma energia muito boa.
Depois disto fomos nos perdendo e nos achando pelas ruas de Quioto até o pôr do sol até encontrarmos no alto de uma rua um pagode lindo.
O Pôr do Sol na Pagoda Hōkan-ji de Yasaka
A Pagoda Hōkan-ji, também chamada Pagoda de Yasaka é linda e antiga, abriga em seu interior estátuas dos Cinco Budas da Sabedoria.
Ela é considerada o templo mais antigo de Kyoto, sendo que sua estrutura de base é mais antiga do que a própria fundação da cidade.

Quando chegamos lá já estava fechada, mas conseguimos ver um pôr do sol lindo.

Subimos um pouco mais e a vista foi ficando mágica, parecia um cartão postal vivo o cair da noite lá de cima.

Nos demos conta que a foto clássica de Quioto é tirada dali, porque começou a chegar muita gente e o encanto se quebrou.
Mas mesmo com tanto movimento, vale a pena curtir essa paisagem.
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