Ásia · Tailândia

A Lady Buda de Chiang Rai (Wat Huay Pla Kung)

· 5 min de leitura

A Lady Buda de Chiang Rai (Wat Huay Pla Kung)

Uma imensa estátua branca da deusa Guan Yin no templo Wat Huay Pla Kung, com cerca de 79 metros de altura e elevador interno até os olhos.

Neste artigo

Contamos mais sobre a cidade e os outros templos de Chiang Rai no post Chiang Rai: O Ritmo Calmo do Extremo Norte da Tailândia.

Ficamos curiosos para conhecer a maior estátua feminina da Tailândia, com 79 metros e que muitos conhecem como Lady Buddha, mas na realidade é a deusa da misericórdia  conhecida no Brasil como Kuan Yin.

Vista panorâmica da imponente estátua branca gigante de Guanyin sentada sobre uma flor de lótus em uma encosta verde em Chiang Rai.

Nós chegamos lá quase no meio da tarde, pegamos um grab, pois o templo fica 8 km distante do centro de Chiang Rai.

O Choque Inicial

Estávamos andando pela cidade desde manhã e não tínhamos almoçado. Pensamos que devia ter restaurante no templo, mas não tinha. Encontramos aberta apenas uma barraquinha, no topo da escada da estátua de Guan Yin.

Ali já começou a surpresa, pedimos pad thai, que estava delicioso por sinal e nem perguntamos o preço. Estávamos desesperados de fome, o que cobrassem, pagaríamos.

Prato de Pad Thai tailandês acompanhado de brotos de feijão, cebolinha, limão e uma lata de chá oolong com limão e mel sobre mesa colorida.

Era nossa primeira vez na Tailândia, os primeiros dias, e a ideia era que lugar turístico, dentro de templo, ia sair caro.

Quando fomos pagar, ela disse que era 10 bahts.

Dez bahts é menos de dois reais, ficamos meio chocados. Aquela comida não tinha preço de prato de turista. Tentamos pagar mais e ela não aceitou, pelo que entendemos, estávamos pagando o custo dos ingredientes da refeição, o restante era uma doação. Até hoje quando lembro da energia que rolou naquele momento, tenho vontade de chorar. Foi emocionante!

Ali já percebemos que o lugar é muito diferente, tem atmosfera de muita compaixão, caridade e respeito ao próximo.

O Templo da Caridade Prática

Nós sabíamos que Guan Yin, é a representação máxima de um Bodhisattva, que na tradição do budismo Mahayana se traduz como um ser de pura luz que alcançou a iluminação e recebeu o direito de se libertar do ciclo de reencarnações e do sofrimento.

Uma mulher sorridente com uma bolsa azul em pé nos degraus ornamentados com grandes esculturas de dragões brancos na escadaria do templo em Chiang Rai

Mas segundo a lenda, Guan Yin escolheu adiar sua entrada no Nirvana para permanecer próxima à Terra, ouvindo os lamentos e ajudando a aliviar o sofrimento de todos os seres vivos.

Sabendo disto, o monge fundador desse complexo Luang Por Phob Chok, com o apoio de fiéis e devotos, construiu o local baseado no princípio da compaixão ativa de Guan Yin.

Um homem em pé com as mãos unidas em reverência no interior decorado em tons de branco do templo Wat Rong Suea Ten ou templo branco em Chiang Rai

O templo não é apenas um ponto turístico, ele mantém um orfanato enorme que abriga, alimenta e educa centenas de crianças carentes e de minorias étnicas das montanhas.

Ao lado do templo, ele criou um hospital que oferece atendimento médico gratuito para a comunidade local que não tem recursos.

Depois que descobrimos isso, entendemos o porquê do almoço baratinho. Este foi um dos lugares que vimos com mais força a devoção espiritual e a caridade real. O outro lugar que nos tocou assim foi o Templo Dourado em Amritsar, temos um post contando sobre isso.

A Subida dos Olhos

Logo na entrada, temos outra surpresa, tem uma quantidade enorme de sacos de arroz que serão doados.

Ao lado, tem uma bilheteria e o elevador que leva até os olhos no 25º andar. A visitação de todo o complexo é gratuita, com exceção do elevador, que custa 40 bahts a subida.

Mulher sentada com as mãos juntas em gesto de oração diante de relevos esculpidos em branco nas paredes internas do templo em Chiang Rai.

Os andares do topo são lindíssimos, absolutamente brancos, com várias formas de Guan Yin, Budas, cenas da mitologia budista e figuras de protetores celestiais, com tantos detalhes, que tem que olhar com calma para poder apreciar.

Vista aérea da paisagem urbana e verde através de uma abertura circular decorada com esculturas brancas e placa explicativa

Mas o que mais impressionou foi chegar às pequenas aberturas dos olhos, que são janelas, olhar para baixo e ver, num canto, escrito Free Food. Mais uma vez surgiu aquele aperto no peito e a gente lembrou de onde estamos! É o templo da caridade verdadeira.

Vista aérea detalhada de um edifício com placa indicando distribuição de comida gratuita ("Food Free"), com um veículo vermelho estacionado ao lado na área do templo em Chiang Rai

O Pagode que Emociona

Na sequência fomos para o segundo templo, o pagode de nove andares, chamado de Phop Chok Dhamma Chedi, que é muito colorido e mistura o estilo tradicional do norte da Tailândia (Lanna) com o estilo chinês.

A escadaria que leva ao interior do pagode de 9 andares é guardada por estátuas coloridas de dragões chineses tradicionais.

Fachada externa e grandiosa da torre pagoda com telhados vermelhos, detalhes dourados e estátuas sob um céu nublado em Chiang Rai.

Cada um dos andares deste pagode é dedicado a diferentes divindades, Guan Yin, Budas e deuses, esculpidos em madeira de sândalo.

Neste templo não tem elevador, a proposta é subir até o topo observando as esculturas.

Estátua de Buda de madeira adornada com túnica amarela e cercada por cobras nagas, posicionada entre vasos de flores em um templo.

Quanto mais a gente sobe, menor fica o espaço, é lindo, surgem imagens variadas a cada andar, mas vai cansando.

No quinto ou sexto andar, surge a pergunta, por que cargas d'água a gente subiu tudo isso, dá uma vontade de desistir… mas seguimos, não sei se movidos por curiosidade ou pela nossa característica pessoal de não desistir nunca!

Estátua de Buda de madeira adornada com túnica amarela e cercada por cobras nagas, posicionada entre vasos de flores em um templo.

E seguimos subindo, e tem uma  divindade em um  destes andares com um rosto irônico, que é difícil de descrever, parece questionar se a gente vai seguir.

E não sei em que momento surge algo mais profundo, a gente começa a pensar qual a imagem, qual o ensinamento que vai estar no topo. Porque é um caminho de ascensão pelo que percebemos, então qual será a divindade no topo?

estátua de Buda esculpida em madeira em posição sentada ao lado de uma caixa de doações em um templo em Chiang Rai.

E no final surge uma escadinha helicoidal bem pequena, quem é muito alto tem até certa dificuldade de passar.

No topo dessa escada, quando eu botei a cabeça na abertura, tive uma crise de choro, foi muito, mas muito chocante. Não vou contar o que está lá, mas garanto que quem subir, vai entender porque subiu tudo aquilo e vai entender as 9 faces das divindades.

Estátua de Buda em madeira esculpida no interior do pagode de nove andares do templo Wat Huay Pla Kung em Chiang Rai.

Quem tiver conexão espiritual com o budismo, sugiro fortemente que suba todos os andares deste pagode.

O Templo Tailandês

Existe também um templo em estilo tailandês no complexo, é o viharn, o salão de assembleia, lindíssimo, infelizmente não conseguimos visitar.

Uma mulher em pé ao lado da imponente estátua branca e da estátua dourada de Guanyin no complexo do templo em Chiang Rai

Dica Prática: Uma observação importante sobre a vestimenta, a visita aos templos exige respeito às normas de conduta típicas de qualquer recinto sagrado na Tailândia. É necessário cobrir os ombros e os joelhos para caminhar pelas escadarias e acessar o interior dos templos.

Este complexo de templos marcou muito nossa vida, alguns meses depois decidimos morar na Ásia e achamos que a energia deste local foi um estopim.

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