
Uma imensa estátua branca da deusa Guan Yin no templo Wat Huay Pla Kung, com cerca de 79 metros de altura e elevador interno até os olhos.
Neste artigo
Contamos mais sobre a cidade e os outros templos de Chiang Rai no post Chiang Rai: O Ritmo Calmo do Extremo Norte da Tailândia.
Ficamos curiosos para conhecer a maior estátua feminina da Tailândia, com 79 metros e que muitos conhecem como Lady Buddha, mas na realidade é a deusa da misericórdia conhecida no Brasil como Kuan Yin.

Nós chegamos lá quase no meio da tarde, pegamos um grab, pois o templo fica 8 km distante do centro de Chiang Rai.
O Choque Inicial
Estávamos andando pela cidade desde manhã e não tínhamos almoçado. Pensamos que devia ter restaurante no templo, mas não tinha. Encontramos aberta apenas uma barraquinha, no topo da escada da estátua de Guan Yin.
Ali já começou a surpresa, pedimos pad thai, que estava delicioso por sinal e nem perguntamos o preço. Estávamos desesperados de fome, o que cobrassem, pagaríamos.

Era nossa primeira vez na Tailândia, os primeiros dias, e a ideia era que lugar turístico, dentro de templo, ia sair caro.
Quando fomos pagar, ela disse que era 10 bahts.
Dez bahts é menos de dois reais, ficamos meio chocados. Aquela comida não tinha preço de prato de turista. Tentamos pagar mais e ela não aceitou, pelo que entendemos, estávamos pagando o custo dos ingredientes da refeição, o restante era uma doação. Até hoje quando lembro da energia que rolou naquele momento, tenho vontade de chorar. Foi emocionante!
Ali já percebemos que o lugar é muito diferente, tem atmosfera de muita compaixão, caridade e respeito ao próximo.
O Templo da Caridade Prática
Nós sabíamos que Guan Yin, é a representação máxima de um Bodhisattva, que na tradição do budismo Mahayana se traduz como um ser de pura luz que alcançou a iluminação e recebeu o direito de se libertar do ciclo de reencarnações e do sofrimento.

Mas segundo a lenda, Guan Yin escolheu adiar sua entrada no Nirvana para permanecer próxima à Terra, ouvindo os lamentos e ajudando a aliviar o sofrimento de todos os seres vivos.
Sabendo disto, o monge fundador desse complexo Luang Por Phob Chok, com o apoio de fiéis e devotos, construiu o local baseado no princípio da compaixão ativa de Guan Yin.

O templo não é apenas um ponto turístico, ele mantém um orfanato enorme que abriga, alimenta e educa centenas de crianças carentes e de minorias étnicas das montanhas.
Ao lado do templo, ele criou um hospital que oferece atendimento médico gratuito para a comunidade local que não tem recursos.
Depois que descobrimos isso, entendemos o porquê do almoço baratinho. Este foi um dos lugares que vimos com mais força a devoção espiritual e a caridade real. O outro lugar que nos tocou assim foi o Templo Dourado em Amritsar, temos um post contando sobre isso.
A Subida dos Olhos
Logo na entrada, temos outra surpresa, tem uma quantidade enorme de sacos de arroz que serão doados.
Ao lado, tem uma bilheteria e o elevador que leva até os olhos no 25º andar. A visitação de todo o complexo é gratuita, com exceção do elevador, que custa 40 bahts a subida.

Os andares do topo são lindíssimos, absolutamente brancos, com várias formas de Guan Yin, Budas, cenas da mitologia budista e figuras de protetores celestiais, com tantos detalhes, que tem que olhar com calma para poder apreciar.

Mas o que mais impressionou foi chegar às pequenas aberturas dos olhos, que são janelas, olhar para baixo e ver, num canto, escrito Free Food. Mais uma vez surgiu aquele aperto no peito e a gente lembrou de onde estamos! É o templo da caridade verdadeira.

O Pagode que Emociona
Na sequência fomos para o segundo templo, o pagode de nove andares, chamado de Phop Chok Dhamma Chedi, que é muito colorido e mistura o estilo tradicional do norte da Tailândia (Lanna) com o estilo chinês.
A escadaria que leva ao interior do pagode de 9 andares é guardada por estátuas coloridas de dragões chineses tradicionais.

Cada um dos andares deste pagode é dedicado a diferentes divindades, Guan Yin, Budas e deuses, esculpidos em madeira de sândalo.
Neste templo não tem elevador, a proposta é subir até o topo observando as esculturas.

Quanto mais a gente sobe, menor fica o espaço, é lindo, surgem imagens variadas a cada andar, mas vai cansando.
No quinto ou sexto andar, surge a pergunta, por que cargas d'água a gente subiu tudo isso, dá uma vontade de desistir… mas seguimos, não sei se movidos por curiosidade ou pela nossa característica pessoal de não desistir nunca!

E seguimos subindo, e tem uma divindade em um destes andares com um rosto irônico, que é difícil de descrever, parece questionar se a gente vai seguir.
E não sei em que momento surge algo mais profundo, a gente começa a pensar qual a imagem, qual o ensinamento que vai estar no topo. Porque é um caminho de ascensão pelo que percebemos, então qual será a divindade no topo?

E no final surge uma escadinha helicoidal bem pequena, quem é muito alto tem até certa dificuldade de passar.
No topo dessa escada, quando eu botei a cabeça na abertura, tive uma crise de choro, foi muito, mas muito chocante. Não vou contar o que está lá, mas garanto que quem subir, vai entender porque subiu tudo aquilo e vai entender as 9 faces das divindades.

Quem tiver conexão espiritual com o budismo, sugiro fortemente que suba todos os andares deste pagode.
O Templo Tailandês
Existe também um templo em estilo tailandês no complexo, é o viharn, o salão de assembleia, lindíssimo, infelizmente não conseguimos visitar.

Dica Prática: Uma observação importante sobre a vestimenta, a visita aos templos exige respeito às normas de conduta típicas de qualquer recinto sagrado na Tailândia. É necessário cobrir os ombros e os joelhos para caminhar pelas escadarias e acessar o interior dos templos.
Este complexo de templos marcou muito nossa vida, alguns meses depois decidimos morar na Ásia e achamos que a energia deste local foi um estopim.
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