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Roteiro em Beijing (Pequim), Cidade Proibida, Hutongs, templos e o lado moderno
· 15 min de leitura

Nossa experiência em Beijing (Pequim) no frio de novembro, passando pela Cidade Proibida, Hutongs, Parque Jingshan, Templo dos Lamas, Templo do Céu e os arranha-céus de Chaoyang.
Neste artigo
- Por Que é Chamada de Cidade Proibida?
- Hutongs no Frio de Novembro
- Parque Jingshan no Fim de Tarde
- Shichahai à Noite, a Volta do Lago Iluminada
- Beijing Futurista, o Lado Moderno da Capital
- Templo dos Lamas, o Maior Templo Tibetano Fora do Tibete
- A Rua F
- antasma
- Deslocamentos, Metrô e a sensação de segurança
- Templo do Céu e os altares sagrados de Beijing
Nós fomos a Beijing (Pequim em português) no mês de novembro e fazia muito frio, o que nos surpreendeu muito, chegamos a pegar menos 1 grau.
Dica Prática: Pesquise a temperatura que vai estar na época de sua viagem, pois, dependendo do mês, o clima muda completamente.
A capital chinesa consegue ser, ao mesmo tempo, um museu a céu aberto e o lugar de construções monumentais modernas.

Em Beijing, ao lado da Cidade Proibida, você encontra casas de 800 anos nos Hutongs e perto dali, shoppings de luxo que beiram o centro histórico. É como se a Cidade Imperial tivesse se modernizado.
É importante esclarecer uma confusão, a Cidade Proibida é a parte menor, onde os imperadores viviam, já a Cidade Imperial é toda a parte antiga da cidade, incluindo os Hutongs e os parques, tais como o Parque Jingshan.
A Cidade Proibida se mantém intacta, mas boa parte da Cidade Imperial foi demolida. O que mais chama a atenção não é só a arquitetura, mas o fato de que tudo isso ainda funciona.

Os templos não são estáticos ou feitos "para turista ver”, ao contrário, as pessoas os frequentam, praticam seus rituais diários e algumas até ficam de cara feia quando tiramos muitas fotos. É visível o orgulho e o respeito que os chineses têm pela própria história.
Por Que é Chamada de Cidade Proibida?
A primeira coisa que fizemos foi ir à Cidade Proibida, que fica no coração da Cidade Imperial. Ela é chamada assim pois, por quase 500 anos, foi a residência e o centro político dos imperadores das dinastias Ming e Qing, e a entrada era totalmente proibida ao povo. Só depois da queda do último imperador é que ela virou um museu aberto ao público. Infelizmente, só conseguimos ver por fora, pois não tinha mais ingresso para o dia e chegamos no início da tarde. Dica Prática: compre com antecedência a entrada para a cidade imperial e reserve um dia inteiro para andar pelo local.
Hutongs no Frio de Novembro
Ao lado da Cidade Proibida estão os hutongs, que decidimos conhecer após o imprevisto. Os hutongs são becos e vielas estreitas dos bairros antigos, com casas de pátio interno chamadas siheyuan. Muitos desses bairros foram demolidos durante a modernização acelerada da cidade, mas alguns trechos foram preservados e hoje concentram lojas, restaurantes e moradias que mantêm viva a arquitetura tradicional chinesa.

Nós conhecemos vários lugares tradicionais nos hutongs no tempo em que ficamos em Beijing, e são ambientes com uma energia antiga muito especial.
Em alguns restaurantes super tradicionais, encontramos poucos ou quase nenhum turista.
O que nos deixou incrédulos foi que, mesmo com o frio lá fora, vimos os chineses fumando dentro dos restaurantes com as janelas todas fechadas.
Tivemos um certo choque, mas uma das coisas que aprendemos nas viagens é não julgar nem se meter em estilos e tradições que não conhecemos.
Parque Jingshan no Fim de Tarde
E para enxergar melhor a Cidade Proibida, subimos a montanha do Parque Jingshan no fim da tarde.
A colina é artificial e foi feita de propósito com a terra escavada dos fossos da Cidade Proibida, para proteger o complexo dos ventos secos e frios do inverno.
O Parque Jingshan é o ponto mais alto do centro histórico e o centro geográfico da Beijing antiga.

Uma das coisas mais interessantes que vimos no topo da colina, na área externa do Wanchun Pavilion, foi um círculo de bronze no chão marcando os pontos cardeais.
O que significa que a construção da cidade foi feita respeitando a geometria sagrada e o feng shui.

A subida da escadaria para o topo não é muito pesada, e é lindo ver os telhados da Cidade Proibida brilhando no fim da tarde.
Shichahai à Noite, a Volta do Lago Iluminada
Na China eles levam a sério a iluminação dos lugares, descobrimos isso à noite, quando fomos à região de Shichahai.
Shichahai é o nome de um conjunto de três lagos artificiais interligados no centro antigo de Beijing, formado pelo Qianhai (Lago da Frente), pelo Houhai (Lago de Trás, que é o maior deles) e pelo Xihai (Lago do Oeste).
Na prática, é como se fosse um rio contínuo (o que já foi), dividido por pontes e onde um lago começa quando o outro termina.
A parte mais interessante desta história, e que quem passeia por lá não imagina, é que isto é uma maravilha da antiga engenharia chinesa.

Antigamente, esses lagos não eram fechados, existia um rio artificial ligado a um canal imenso que vinha do sul da China e desembocava dentro de Shichahai, onde os barcos carregados de comida e mercadorias atracavam para abastecer a capital.
Séculos depois, quando a cidade cresceu, eles aterraram o canal para fazer ruas e deixaram só os três lagos isolados no meio de Pequim.
Nós fomos conhecer o Xihai (Lago do Oeste) e parecia que estávamos em um conto de fadas chinês. Algumas vezes nos lembrou Hoi An no Vietnã, até porque lá também teve influência chinesa.

A área do lago em si não nos pareceu um lugar exageradamente turístico, vimos muitos locais passeando, comendo em barraquinhas e curtindo a noite fria, tomando um chá, que se tornou nossa paixão, o chá de jujuba. Este é considerado o lado mais calmo dos 3 lagos.
Se quiser agito, vá para Houhai (Lago de Trás), que é o principal polo de entretenimento noturno do centro histórico de Beijing.
O lago Qianhai (Lago da Frente) tem vários restaurantes iluminados por lanternas, casas de chá, barcos de passeio e o famoso mercado de lótus.
Esses dois lagos são os mais turísticos e muita gente fala que são um verdadeiro pega-turista.
Infelizmente não tivemos tempo para visitar os outros lagos.
Beijing Futurista, o Lado Moderno da Capital
Estávamos curiosos para conhecer a parte moderna da cidade.
Para quem acha que a China não tem glamour, já vou avisando que ficamos surpresos com o estilo dos shoppings.
Começamos nossa busca no Altar do Milênio, um relógio de sol feito para receber o ano 2000, que tem um museu muito completo no andar de baixo.

Foi engraçado que, como éramos os únicos turistas, vieram fotógrafos pedindo para tirar fotos para uma matéria sobre a exposição que estava ocorrendo, tipo mostrando que a gente estava prestigiando.
Até hoje procuro estas fotos, mas, como saíram num jornal chinês, não achamos.

Quase ao lado fica a Estação Ferroviária Oeste, que é um dos maiores e mais modernos terminais de trem da China, foi inaugurado em 1996, e mantém o estilo antigo, com telhado tradicional chinês e criaram o vão gigante no meio do prédio para parecer um portão de boas-vindas para quem chega na capital.

Na sequência, seguimos para o distrito de Chaoyang, conseguimos chegar de dia e admirar os detalhes de alguns prédios.
Um dos que nos chamou a atenção foi o China World Tower III, que é o segundo prédio mais alto de Pequim, com 74 andares e tem um hotel de luxo com bar panorâmico no topo.
Ficamos pensando no preço de um lugar desses, mas depois descobrimos que qualquer pessoa pode subir no bar sem pagar entrada, nem precisa ser hóspede, basta pedir uma cerveja que custa uns 10 dólares (60 reais) para curtir a vista da cidade.
Só exigem roupa casual arrumada, não deixam entrar de bermuda, regata ou chinelo.

E finalmente encontramos a famosa Grande Calça, que é o prédio da TV estatal CCTV.
São duas torres inclinadas que se juntam lá no alto, um dos projetos arquitetônicos mais ousados construídos na China nas últimas décadas.
A estrutura é considerada bizarra, gerou muitos debates e esse nome nunca foi aceito oficialmente pelo governo chinês (que depois até proibiu novas construções com formatos bizarros no país), mas mesmo assim impressiona e se tornou um ícone da cidade.

Essa região é considerada o Distrito Central de Negócios de Beijing, o coração financeiro da cidade, onde ficam as maiores empresas do mundo, hotéis cinco estrelas e o China World Mall.
O China World Mall na verdade são vários shoppings diferentes em quarteirões separados, todos interligados por passarelas de vidro por cima das avenidas.

Tivemos muita dificuldade de nos localizarmos, não vou mentir..rsrsrs, entramos e saímos várias vezes no frio de 3 graus para podermos encontrar a saída correta pra gente.
Andando por dentro do shopping, encontramos uma das maiores febres atuais da China, o Jellycat Café. A gente achou curioso e foi ver o que era, porque tinha fila e balcão de doces, mas não vendia nada de comer de verdade.

Os produtos à venda são todos bichos de pelúcia em formato de bolos e xícaras de café, e a loucura é que os atendentes fingem que estão assando e colocando creme de mentira no brinquedo antes de te entregar numa caixa de bolo.
Essa mania ficou tão grande na China que várias cafeterias reais passaram a fazer bolos de verdade imitando a carinha dessas pelúcias para o pessoal tirar foto comendo junto com o bicho.
Saindo na calçada, passamos por uma loja enorme da Louis Vuitton com o design tradicional da marca e estava movimentada, esta é uma das coisas que vimos muito na China. As lojas de luxo não ficam vazias.

Na frente da loja vimos um prédio que nos chamou a atenção pelo nome, World Wealth Tower, que traduzindo significa Torre da Riqueza Mundial. O nome não é à toa, porque depois descobrimos que aquela avenida onde estávamos caminhando tem um dos metros quadrados mais caros do mundo inteiro.

Tanto que esse prédio WWT foi vendido por quase 8 bilhões de reais, imaginem quanto dinheiro circula nessa parte moderna de Beijing. Seguimos andando e admirando um pouco mais esta parte inesperada que descobrimos da China.
Templo dos Lamas, o Maior Templo Tibetano Fora do Tibete
Fiquei animadíssima para conhecer o maior templo de budismo tibetano fora do Tibete. Para entender por que existe um templo tibetano desse tamanho bem no meio da capital chinesa, vale lembrar que o Tibete foi anexado e hoje faz parte do território da China. Mas a história desse lugar já vem de séculos atrás, ele foi construído em 1694 para príncipes e imperadores morarem e, em 1744, virou um mosteiro para os monges tibetanos.

Como já foi casa de imperador, tem paredes vermelhas e telhados amarelos igual à Cidade Proibida.
É importante dizer que não é um templo turístico, é um lugar de prática mesmo.
Vimos os monges e o povo local fazendo as orações diárias e sentimos uma energia de respeito e devoção muito forte nos pátios.
Deu para perceber que eles ficavam meio de cara feia quando a gente fotografava demais, porque levam o momento muito a sério e na maioria dos salões é proibido tirar foto. O que conseguimos fotografar da parte interna foi quase no susto, tiramos rapidamente as fotos só quando outras pessoas chinesas estavam fazendo o mesmo. O ingresso custa 25 yuans (uns 20 reais) e na entrada tem um kit de incensos que pode pegar de graça e fazer a sequência de acendimentos nos pátios. Dica prática: não compre os incensos dos vendedores na rua, porque é proibido entrar com incenso no templo.

O Templo tem cinco pátios em sequência onde é feito circuito de bênçãos.
Cada pátio tem um salão para pedir uma bênção diferente, você vai passando de um para o outro seguindo um ritual.
A regra é acender apenas três em cada pátio, que representam o Buda, os ensinamentos e os monges.
Outra coisa que aprendemos é que se o incenso pegar fogo na ponta, você nunca pode assoprar com a boca porque eles acham impuro, tem que abanar com a mão para apagar a chama.
As pessoas acendem as três primeiras varetas pedindo paz e alegria. Você reza virando para os quatro lados inclinando a cabeça levemente. Coloca o incenso queimando no incensário de metal do pátio aberto e só depois entra no salão.

O primeiro salão é chamado Salão dos Reis Celestiais. Como as portas ficam bem abertas para o pátio, conseguimos tirar foto do Buda sorridente da prosperidade e da alegria, que é a versão chinesa do Buda Maitreya.

Ele está cercado por duas torres redondas de nove andares cheias de mini budas para pedir vida longa e saúde, a mesa do altar fica cheia de frutas que os próprios fiéis levam de oferenda.
No segundo pátio fica o Salão da Harmonia e Paz, onde os devotos vão para acender o incenso pedindo dinheiro e sucesso nos negócios. Na época do palácio era a sala onde o príncipe recebia os ministros e hoje guarda três estátuas grandes de bronze que representam os Budas do Passado, do Presente e do Futuro. Não conseguimos tirar fotos desta área, porque além de proibido, tinham muitos vigias na porta, mas acendemos os incensos no pátio externo.
Passando para o terceiro pátio, chegamos no Salão da Proteção Eterna, onde as orações são focadas em saúde e cura de doenças. O lugar tem uma história bem forte porque era o quarto do Imperador Yongzheng quando jovem e também foi onde o caixão dele foi velado quando morreu. Foi um lugar que passamos rapidamente, acho que nem chegamos a entrar no salão.
Os monges estavam rezando e deu para sentir a vibração séria do lugar. Como o espaço abriga a imagem do Buda da Medicina, a energia do lugar está ligada à cura e ao afastamento de infortúnios.

No quarto pátio fica o Salão da Roda da Lei, onde os fiéis rezam por carreira, trabalho e estudos. É onde os monges sentam todos os dias para ler os livros sagrados e fazer as cerimônias.
Tem uma energia bem alegre, da porta conseguimos fotografar o altar com a estátua de bronze dourado de 6 metros de altura de Je Tsongkhapa, o mestre que fundou a escola dos Chapéus Amarelos do budismo tibetano, a mesma linha do Dalai Lama.

No quinto e último pátio fica o salão Pavilhão da Felicidade Infinita, onde se pede sorte geral e abertura de caminhos.
É onde fica a estátua mais famosa do templo, o Buda Maitreya gigante de 18 metros de altura acima da terra e mais 8 metros abaixo da terra para dar firmeza.

Ele entrou para o livro dos recordes (Guinness) como a maior estátua do mundo esculpida num único tronco de árvore de sândalo branco e foi um presente do sétimo Dalai Lama para o imperador. O lugar tem uma vibração ótima e todo mundo acaba tirando uma foto discretamente.
Ainda tem mais um pavilhão lateral, onde Gustavo tirou foto na porta, que tem outra história curiosa, no trono não é um Buda, é o próprio Imperador vestido de lama.
Ele mandou construir o prédio para receber um grande líder do Tibete que veio ensinar budismo para ele nesse altar, para comemorar o aniversário de 70 anos do imperador.

Na foto se pode ver um batente alto de madeira vermelha que tem uma regra que deve ser seguida à risca. Nunca se deve pisar em cima dele, tem que dar um passo largo por cima, isto vale para qualquer batente de salão ou templo, vimos isto também no Japão.
Pisar em cima do batente é considerado falta de respeito e pode atrair azar.
Após terminar o circuito de bênçãos ainda tem mais alguns pátios para andar e curtir esta atmosfera de paz e devoção. Nossa sugestão é reservar um período inteiro manhã ou tarde, para ver tudo com calma.
A Rua F
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antasma
Após um dia zen, nesta noite decidimos ir para a famosa Rua Guijie (conhecida como "Ghost Street"), que fica a cerca de 15 minutos a pé do Templo dos Lamas.
A Rua Fantasma é a avenida mais famosa da vida noturna de Beijing e um lugar que nunca dorme.

É uma avenida inteira coberta por centenas de lanternas vermelhas acesas à noite, cheia de bares e restaurantes que, na grande maioria, funcionam 24 horas por dia.
Achamos muito divertido e comemos em um restaurante local num hutong na região.
Deslocamentos, Metrô e a sensação de segurança
Para andar pela cidade só usamos DiDi em distâncias longas, que não tinha como fazer de metrô. A maioria das vezes nós usamos o metrô, pela praticidade, rapidez e custo baixo.
Em todas as entradas de metrô tem muitas câmeras e a segurança é forte, as bolsas passam pelo aparelho de raio x e a gente precisa levantar os braços para os guardas passarem o detector e conferirem se ninguém está armado. Também passam um scanner nas garrafas para ver que líquido é.

Nós passamos por essa revista várias vezes e nos sentimos muito seguros com esse cuidado. Achei que ficaria meio com medo, mas eles são muito tranquilos é realmente algo que é feito para o bem comum. E não adianta tentar se comunicar em inglês, porque quase ninguém fala fluente, mas a boa e velha mímica muitas vezes resolve. Tenha sempre em mãos o tradutor no celular para ler as placas e avisos e para conseguir desenvolver melhor conversa. No próprio WeChat que é o app que serve para tudo, tem um ótimo tradutor. Tenha também uma vpn de qualidade para poder abrir o google e outros aplicativos ocidentais. Nós usamos a surfshark que funcionou muito bem na Ásia inteira.
Templo do Céu e os altares sagrados de Beijing
Este templo foi o lugar que mais gostamos na cidade, ele é realmente divino. O Templo do Céu é o maior complexo de altares imperiais antigos do mundo e Patrimônio Mundial da UNESCO.

Ele se destaca por ser um conjunto arquitetônico único que supera em tamanho a própria Cidade Proibida. Foi construído inteiramente com simbolismo místico para rituais imperiais de conexão entre a Terra e o Céu. É tão grande, está tão bem conservado e tem tanta história que não vamos conseguir falar pouco sobre ele. Fizemos um post completo do Templo do Céu contando a visita de dia inteiro que fizemos (e também contamos como foi ir à Grande Muralha em Badaling).
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