Ásia · Tailândia

Ko Lanta: Ilha de Pescadores no Sul da Tailândia

· 4 min de leitura

Ko Lanta: Ilha de Pescadores no Sul da Tailândia

Ilha do sul tailandês na província de Krabi, habitada há séculos por ciganos do mar Urak Lawoi e por uma comunidade muçulmana de pescadores, com clima mais lento que Phuket.

Neste artigo

Ko Lanta é o nome popular dado a um par de ilhas no Mar de Andaman, em frente à costa da província de Krabi, no sul da Tailândia. As duas ilhas se chamam Ko Lanta Noi, ao norte, e Ko Lanta Yai, ao sul, esta última a mais habitada e a que recebe quase todo o turismo. Uma ponte construída em 2016 ligou as ilhas ao continente, encerrando a antiga rotina das balsas para chegar até lá.

A ilha principal tem cerca de trinta quilômetros de extensão de norte a sul, com uma estrada única acompanhando a costa oeste, onde se concentram as praias de areia clara voltadas para o pôr do sol.

História

A povoação mais antiga de Ko Lanta é atribuída ao povo Urak Lawoi, conhecido como ciganos do mar, grupo de origem austronésia que vive de pesca e da navegação tradicional há séculos pelo arquipélago entre a Tailândia e a Malásia. Esses moradores ainda mantêm comunidade em Ko Lanta Yai, em especial em torno da vila de Sangka-U, no sul da ilha.

A partir dos séculos XVIII e XIX, comerciantes muçulmanos vindos da costa malaia se estabeleceram na ilha e formaram a maioria atual da população, que continua predominantemente muçulmana, em contraste com o restante budista do país. Essa mistura aparece nas mesquitas espalhadas pelo interior, nos nomes das vilas e na ausência da arquitetura monástica típica de outras regiões da Tailândia.

A leste da ilha funciona a chamada Lanta Old Town, antiga capital comercial e ponto de parada de embarcações chinesas e árabes em rotas entre o Estreito de Malaca e a Baía de Bengala. As casas de madeira sobre palafitas voltadas para o mar lembram esse período em que o porto da vila era mais importante do que as praias do lado oposto.

Curiosidades

Os Urak Lawoi celebram, duas vezes por ano, em maio e novembro, uma cerimônia chamada Loy Reua, na qual constroem pequenos barcos de madeira e os colocam para flutuar como forma simbólica de jogar fora as desgraças e renovar a sorte da comunidade. A festa acontece tradicionalmente nas praias do sul da ilha.

A maior parte do extremo sul de Ko Lanta Yai está dentro do Parque Nacional Mu Ko Lanta, criado em 1990, que protege também ilhas vizinhas como Ko Rok e Ko Haa, conhecidas pelo mergulho com snorkel e cilindro em águas claras.

Apesar de ser bem menos famosa que Phuket ou Phi Phi, Ko Lanta segue um ritmo nitidamente mais lento, sem grandes complexos hoteleiros e com vida noturna restrita a alguns bares de praia. Em parte isso se deve à influência muçulmana, que limita a presença de bares e festas em vários trechos da costa.

A temporada turística vai de novembro a abril, e durante a monção, entre maio e outubro, boa parte dos hotéis e restaurantes do lado oeste fecha por causa do mar agitado.

Substituir por foto: vila de palafitas em Lanta Old Town

Uma ilha sem tradição budista dominante

Diferente da maior parte da Tailândia, Ko Lanta tem população majoritariamente muçulmana, resultado da fixação de comerciantes vindos da costa malaia entre os séculos XVIII e XIX. Isso se reflete na paisagem, com mesquitas em vez de templos dourados espalhadas pelo interior da ilha, e também no cotidiano, já que a vida noturna é mais discreta do que em outros destinos de praia do país.

Substituir por foto: barco tradicional dos Urak Lawoi em Ko Lanta

Os ciganos do mar que vieram antes de todos

O povo Urak Lawoi ocupa a ilha há muito mais tempo do que qualquer grupo comercial que chegou depois, vivendo tradicionalmente da pesca e da navegação entre ilhas do arquipélago que hoje pertence à Tailândia e à Malásia. A comunidade ainda mantém presença na vila de Sangka-U e realiza duas vezes por ano a cerimônia do Loy Reua, quando pequenos barcos de madeira são lançados ao mar como forma simbólica de afastar o azar.

Substituir por foto: ponte de acesso a Ko Lanta construída em 2016

O fim da era das balsas

Até 2016, chegar a Ko Lanta significava depender de balsas, o que limitava bastante o fluxo de visitantes e mantinha um ritmo mais lento na ilha. A construção da ponte ligando o arquipélago ao continente facilitou o acesso e ajudou a aumentar o turismo, mas a ilha ainda preserva uma atmosfera mais tranquila do que Phuket, sem os grandes complexos hoteleiros de outros destinos do sul.

Substituir por foto: praia deserta no sul de Ko Lanta dentro do parque nacional

Baixa temporada de verdade

Entre maio e outubro, período de monção, boa parte dos hotéis e restaurantes do lado oeste da ilha simplesmente fecha as portas por causa do mar agitado. Isso é bem diferente de destinos como Phuket, que mantêm operação praticamente o ano todo. Quem for pensar em visitar fora da alta temporada deve checar com antecedência se a hospedagem escolhida vai estar mesmo em funcionamento.

Substituir por foto: pôr do sol na costa oeste de Ko Lanta

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